Quem escreve pensa em capítulos. Quem publica descobre que o livro tem peças que ninguém nunca contou: uma página só com o título, outra com o título de novo, uma com letra miúda cheia de nomes. Elas não são enfeite. Algumas o leitor espera encontrar, e uma delas a lei brasileira cobra.
Vou usar como exemplo o meu próprio livro, o Estrela do Caos: 394 páginas impressas, 31 capítulos. As primeiras páginas dele seguem exatamente a ordem abaixo.
01A ordem das páginas, antes da história
Essas páginas têm um nome coletivo no mercado: pré-textuais. É tudo o que vem antes do texto começar.
| Ordem | Página | Precisa? |
|---|---|---|
| 1 | Página de elogios — o que disseram sobre o livro | Opcional |
| 2 | Falsa folha de rosto — só o título, sozinho | Costume |
| 3 | Do mesmo autor — a lista dos seus outros livros | Opcional |
| 4 | Frontispício — a ilustração de página inteira, de frente para a folha de rosto | Opcional |
| 5 | Folha de rosto — título, subtítulo, autor, editora ou selo | Sim |
| 6 | Créditos (copyright) — direitos, equipe, edição, ano | Sim |
| 7 | Ficha catalográfica (CIP) — o registro do livro, com ISBN | Sim, no impresso |
| 8 | Dedicatória — a quem o livro é oferecido | Opcional |
| 9 | Epígrafe — uma citação de abertura | Opcional |
| 10 | Sumário | Opcional no impresso, obrigatório no ebook |
| 11 | Listas de ilustrações, tabelas, siglas e abreviaturas | Só em não-ficção |
| 12 | Aviso ao leitor e nota do autor | Opcional |
| 13 | Prefácio ou apresentação — alguém de fora falando do livro | Opcional |
| 14 | Nota do tradutor | Só em tradução |
| 15 | Mapa, lista de personagens, cronologia | Opcional |
| 16 | Prólogo — a primeira cena, fora do tempo da história | Opcional |
Ninguém usa as dezesseis. Um romance bem montado usa seis ou sete; a lista existe para você escolher, não para preencher.
Página de elogios. É a primeira coisa do livro, antes até do título: duas ou três frases curtas de gente que leu e gostou, cada uma com o nome de quem disse. Serve para quem folheia na livraria decidir em cinco segundos. Se você ainda não tem elogio de ninguém, essa página simplesmente não existe — inventar um é o pior negócio possível, porque o leitor confere.
Falsa folha de rosto. Uma página com o título e mais nada. Existe por herança da época em que o livro chegava sem capa na casa do encadernador, e ficou porque dá ao leitor um respiro antes de entrar. Custa uma folha e dá cara de livro feito com cuidado.
Folha de rosto. Essa é a certidão de nascimento. Título, subtítulo se houver, seu nome como ele aparece na capa, e o selo ou a editora. Se você publica por conta própria, pode escrever "Edição do Autor", que é o que consta na minha.
Do mesmo autor. A lista dos seus outros livros, em geral no verso da falsa folha de rosto — aquela página da esquerda que quase todo mundo deixa em branco. Se você tem série, é aqui que ela aparece na ordem certa de leitura. Custa zero e é a primeira vez que o leitor descobre que existe mais.
O verso da falsa folha de rosto é página disputada: cabe ali o "do mesmo autor" ou o frontispício, nunca os dois. Quem tem ilustração usa a ilustração; quem tem catálogo usa o catálogo.
Frontispício. É a ilustração de página inteira que fica de frente para a folha de rosto. Não é obrigatório, e a maior parte dos livros não tem. Quando tem, as duas páginas são desenhadas como uma coisa só: o leitor abre o livro e vê uma imagem atravessando o vinco, com o título dentro dela.
Frontispício (página 2)
Folha de rosto (página 3)Página de créditos. É a de letra miúda, e é a mais importante das quatro. Vai nela: o aviso de direitos autorais com o seu nome e o ano, a edição ("1ª edição"), a cidade, e quem trabalhou no livro. Revisor, ilustrador, capista, diagramador, todos entram aqui, inclusive por respeito a quem você pagou.
Ficha catalográfica. É um quadrinho com moldura que descreve o livro do jeito que uma biblioteca precisa: seu nome invertido (Valetius, K.R.), título, edição, cidade, ano, o ISBN (o número único do livro, como um CPF de edição), os assuntos e um código de classificação. Ela é elaborada por um bibliotecário registrado, que assina embaixo com o número do conselho dele. Sai por R$ 68,60 na CBL, em um dia útil (agosto de 2026), e mais que isso com um bibliotecário autônomo. Livro impresso sem ficha não entra em biblioteca, não entra em licitação e não é aceito por parte das livrarias.

Detalhe que engana muita gente: ISBN e ficha são coisas diferentes. O ISBN você pede à Câmara Brasileira do Livro. A ficha é feita depois, e usa o ISBN dentro dela. Os dois têm guia próprio, com preço e prazo: ISBN e ficha catalográfica.
Dedicatória. Uma linha, no máximo duas, no alto de uma página quase vazia, sem aspas e sem título: "Para a Ana, que leu tudo antes de todo mundo". É a única página do livro em que você fala com uma pessoa só, e por isso ela é curta — dedicatória de parágrafo vira agradecimento, e agradecimento tem página própria lá no fim.
Epígrafe. Uma citação curta que abre o livro e dá o tom antes da primeira frase. Vem alinhada à direita, em corpo menor, com o autor e a obra embaixo. Duas armadilhas: a citação não pode explicar o livro (se ela explica, o livro não explicou), e ela precisa ser curta ou de domínio público. Trecho de letra de música, de poema ou de romance ainda protegido depende de autorização de quem detém os direitos, e a editora que imprime não vai perguntar por você. No Brasil, obra de autor morto há mais de 70 anos já caiu em domínio público — Machado de Assis pode, Clarice Lispector ainda não.
Epígrafe também pode abrir cada capítulo, não só o livro. Se você escolher isso, vale para todos os capítulos: um livro em que só três capítulos têm epígrafe parece um livro em que o autor cansou.
Sumário. No livro impresso de ficção ele é opcional, e muito romance não tem. O meu não tem. No ebook ele é obrigatório na prática: o leitor de Kindle usa o sumário para navegar, e a Amazon reprova arquivos sem ele.
Aviso ao leitor. Uma página que virou comum em fantasia e em ficção adulta. É onde você avisa que o livro tem cenas pesadas, que lugares e marcas reais foram alterados de propósito, ou que existe um site com o material extra. No Estrela do Caos essa página se chama "Importante" e avisa o leitor sobre violência explícita e sobre a idade recomendada. Ela protege o leitor, e protege você.

As listas (só em não-ficção). Livro com muita imagem, tabela ou sigla ganha uma lista de cada coisa, logo depois do sumário e na mesma lógica dele: o nome à esquerda, o número da página à direita. Em romance isso não existe.
Nota do tradutor. Se o livro é tradução, o tradutor tem direito a uma página para explicar as escolhas que fez — o trocadilho que não tinha equivalente, o nome que ficou no original. Ela é assinada, e o nome do tradutor também tem de estar na página de créditos, por lei.
Errata. É a folha com os erros que escaparam e as correções, dizendo a página, a linha e o certo. Na norma brasileira ela é pré-textual, logo depois da folha de rosto; na prática de quem publica hoje ela quase não existe mais, porque é mais barato corrigir o arquivo e mandar imprimir de novo. Só faz sentido quando a tiragem já está pronta na sua garagem e o erro é grave demais para deixar passar.
No AUTOR você monta a estrutura do livro inteira sem contar páginas na mão.
02Prólogo, prefácio e introdução são três coisas diferentes
Essas três palavras são trocadas o tempo todo, inclusive por quem já publicou. A diferença é simples e vale a pena decorar: quem escreve e se é parte da história.
| Peça | Quem escreve | É a história? | Onde entra |
|---|---|---|---|
| Prefácio | Outra pessoa | Não | Antes de tudo, assinado |
| Apresentação ou introdução | Você, fora da ficção | Não | Depois do prefácio |
| Prólogo | Você, dentro da ficção | Sim | Última coisa antes do capítulo 1 |
Prólogo. É uma cena que acontece fora do tempo ou do ponto de vista principal da história. Serve para mostrar uma coisa que o protagonista não viu: um crime antigo, uma profecia, a morte que começou tudo. É narrativa, tem cena, tem alguém agindo — se o leitor pular, perde história.
Ele atrapalha quando é usado para explicar o mundo antes de o leitor se importar com alguém. Se o seu prólogo tem mais informação do que ação, ele provavelmente é o capítulo 1 disfarçado, ou material que cabe melhor espalhado ao longo do livro.
Uma regra prática: se o leitor puder pular o prólogo e entender tudo, ele vai pular.
Prefácio. É outra pessoa falando do seu livro para o leitor: um escritor conhecido, um pesquisador da área, alguém cujo nome dá crédito à obra. Vem assinado com o nome e, em geral, com a cidade e a data. Prefácio escrito por você mesmo elogiando o próprio livro é o erro mais constrangedor dessa lista.
Apresentação ou introdução. Aqui é você falando, mas fora da ficção: por que escreveu, como pesquisou, o que o leitor vai encontrar. Em não-ficção é peça normal e muitas vezes necessária. Em romance é rara, e quase sempre o que se quer dizer nela cabe melhor numa nota do autor curta ou no posfácio, depois do fim.
A regra de bolso. Romance usa prólogo. Livro técnico, biografia e ensaio usam prefácio e introdução. Um livro pode ter os três, e a ordem é sempre a mesma: prefácio (a voz de fora), introdução (a sua voz explicando), prólogo (a história começando).
03O miolo
Miolo é o nome do livro sem a capa, as páginas de dentro. É onde os capítulos vivem, e onde três detalhes separam o livro bem feito do livro apressado. Como se monta esse miolo — formato, margens, tipografia — está em como diagramar um livro.
- Capítulo abre sempre em página ímpar (a da direita, quando o livro está aberto). Quando o capítulo anterior termina na direita, entra uma página em branco. Essa página em branco é respiro, e conta na espessura do livro.
- O cabeço é a linha do alto da página com o nome do livro de um lado e o título do capítulo do outro. No meu livro, a página da esquerda traz "Estrela do Caos" e a da direita traz "2. O filho do inverno". Você vai ver essa peça chamada de três jeitos: cabeço é o nome da tipografia, cabeçalho é como quase todo mundo fala, e título corrente é como aparece nos manuais. São a mesma coisa.
- O fólio é o número da página. Ele some nas páginas de abertura de capítulo e nas páginas em branco, e isso não é opcional: número em página em branco é o erro que denuncia amador na primeira folheada.
Os três aparecem juntos aqui, no livro impresso:
Abertura de capítulo (página 11)
Página comum (página 12)No AUTOR o capítulo abre na página ímpar e o número some onde tem de sumir, sem você conferir folha por folha.
Quando o livro é dividido em partes
Livro longo costuma ser cortado em blocos maiores que o capítulo: Parte I, Parte II, ou nomes ("O inverno", "A queda"). A parte não é um capítulo grande — é uma virada de tempo, de lugar ou de personagem que o leitor precisa sentir antes de continuar.
Ela ganha uma página só para si, com o nome da parte no meio e mais nada, e essa página abre em ímpar como capítulo. O verso fica em branco. São duas folhas por parte, e num livro de cinco partes isso são dez páginas de papel — vale saber antes de orçar a impressão.
Interlúdio é o parente próximo: uma cena curta entre duas partes, muitas vezes com outro narrador. Ele é numerado à parte dos capítulos ("Interlúdio", e não "Capítulo 12"), justamente para o leitor entender que aquilo é outra camada da história.
04O que vem depois do fim
Essas são as pós-textuais, e a ordem também é convencionada:
| Ordem | Página | Para quê |
|---|---|---|
| 1 | Epílogo | Fecha o depois da história |
| 2 | Posfácio | Você falando do livro, já sem a ficção |
| 3 | Agradecimentos | Quem ajudou, e quem comprou apoiando |
| 4 | Perguntas para clube de leitura | Faz o livro ser escolhido por grupos |
| 5 | Glossário, apêndice, mapa, cronologia | Fantasia e ficção científica com mundo próprio |
| 6 | Notas de fim e créditos das imagens | Onde as fontes e as artes são citadas |
| 7 | Bibliografia e índice remissivo | Não-ficção, e só ela |
| 8 | Sobre o autor | Uma foto e um parágrafo curto |
| 9 | Outros livros do autor | A página que mais vende o próximo |
| 10 | Trecho do próximo livro | O primeiro capítulo do seguinte, de graça |
| 11 | Pedido de avaliação e convite da newsletter | O momento em que o leitor mais aceita |
| 12 | Colofão | Fonte usada, papel, gráfica, tiragem |
Epílogo não é o último capítulo. É uma cena depois do fim, geralmente com um salto no tempo, mostrando no que a história deu. Se ele resolve o conflito, ele é capítulo. Se ele mostra o mundo depois de resolvido, é epílogo. Num livro de série, o epílogo costuma ser onde a próxima ameaça aparece — o gancho mora aqui, e não no capítulo final.
Posfácio é o contrário do prefácio, nos dois sentidos: vem no fim e, em geral, é escrito por você. É onde cabe a pergunta que o leitor vai fazer — quanto disso aconteceu de verdade, de onde veio a ideia, o que você mudou de propósito. Ele existe para ser lido depois, então pode contar o que a introdução não podia.
Agradecimentos. Duas ou três páginas, no máximo. Entram quem trabalhou no livro, quem leu antes (os beta readers), quem financiou se houve financiamento coletivo e a família. Se você fez uma campanha de apoio, a lista de apoiadores vai aqui, e vale conferir nome por nome: errar o nome de quem pagou é o tipo de erro que ninguém esquece.
Glossário, cronologia e lista de personagens. Fantasia e ficção científica com mundo próprio costumam trazer um ou os três. A regra é a mesma da epígrafe explicativa: se o leitor precisa do glossário para entender a história, o problema está na história, não no glossário. Ele é conforto, não muleta. Mapa é caso à parte — esse costuma vir na frente, junto das pré-textuais, porque o leitor quer olhar antes de começar.
Bibliografia e índice remissivo são de não-ficção. O índice remissivo (a lista de assuntos com o número da página) só pode ser feito no fim, quando a paginação está fechada, porque ele aponta para páginas — mudou uma linha no capítulo 3, todos os números depois dela mudam.
Sobre o autor e outros livros do autor. Essas duas parecem enfeite e são as que mais trabalham. Quem chegou até aqui gostou do livro, e é neste exato ponto que ele decide se procura o seu nome. Uma foto, um parágrafo curto em terceira pessoa, e a lista do que mais você escreveu. No ebook, com link.
Perguntas para clube de leitura. Oito a doze perguntas abertas sobre o livro, em duas páginas. Parece detalhe e não é: clube de leitura escolhe pelo que dá menos trabalho para quem conduz a conversa, e um livro que já vem com as perguntas prontas entra na frente de um que não vem. Pergunta boa não tem resposta certa.
Notas de fim e créditos das imagens. Nota de fim é a nota de rodapé que foi morar no final do livro, agrupada por capítulo — solução comum quando as notas são muitas e atrapalhariam a leitura embaixo do texto. Os créditos das imagens são obrigação de quem usou arte de terceiro: nome do ilustrador ou do fotógrafo, obra e, se houver, a licença. Vale também para foto de banco de imagens, mesmo a paga.
Trecho do próximo livro. Um capítulo inteiro do livro seguinte, no fim deste. Escolha um que termine no pior momento possível para o leitor. É o anúncio mais barato que existe, porque quem está lendo essa página já provou que gosta do que você escreve.
Pedido de avaliação e convite da newsletter. Meia página, no fim de tudo: peça a avaliação na loja onde o livro foi comprado e ofereça um jeito de a pessoa receber notícia do próximo. Avaliação é o que faz a Amazon mostrar o seu livro para quem nunca ouviu falar de você, e a lista de e-mails é a única audiência que não depende de rede social nenhuma. No impresso isso vira um endereço curto ou um QR code.
Colofão é a nota final que diz em que fonte o livro foi composto, em que papel foi impresso e por qual gráfica. É tradição de tipografia, ocupa meia página e é o tipo de detalhe que faz o leitor colecionador reparar.
05O que não é página: o livro por fora
Tudo até aqui é miolo. Mas quando alguém diz "o meu livro está faltando alguma coisa", metade das vezes o que falta está do lado de fora — e essas peças não se diagramam junto com o texto, elas são um arquivo separado que vai para a gráfica.
| Peça | O que é | Onde entra |
|---|---|---|
| Primeira capa | A capa, com título, autor e arte | Sempre |
| Quarta capa | A sinopse, o ISBN e o código de barras | Sempre, no impresso |
| Lombada | Título, autor e selo, no vinco | Acima de ~60 páginas |
| Orelhas | Dobras da capa: sinopse de um lado, autor do outro | Capa mole, opcional |
| Guardas | As folhas coladas que prendem o miolo à capa | Só em capa dura |
| Sobrecapa | A capa solta que envolve o livro | Capa dura, opcional |
| Cinta | A tira de papel em volta, com um anúncio | Promoção, opcional |
| Marcador de fita | A fitinha costurada na lombada | Capa dura, opcional |
Duas dessas cobram atenção. A quarta capa é o segundo texto mais lido do livro, depois do título: ela precisa da sinopse curta, do código de barras com o ISBN e de um espaço branco onde o código possa ser lido pelo leitor ótico da loja. E a lombada não se escolhe — ela é o resultado do número de páginas vezes a espessura do papel, e errar por meio milímetro entorta o título na hora da dobra. Essa conta tem guia próprio: como calcular a lombada do livro.
06O que muda no ebook
O ebook não tem página fixa, então algumas peças mudam de comportamento:
- Sumário passa a ser obrigatório, e precisa ser clicável.
- Falsa folha de rosto costuma sair: o leitor abre o arquivo e quer o começo.
- Ficha catalográfica não é exigida. Mas o ISBN do ebook é diferente do ISBN do impresso, e o certo é pedir os dois.
- Página em branco deixa de existir. Nada de forçar "abertura em página ímpar", e a página de parte vira só um título grande no meio do fluxo.
- Índice remissivo perde o sentido: não há número de página para apontar. No ebook o leitor busca com a lupa, e o glossário ganha o lugar dele.
- Sobre o autor e outros livros ganham importância: no fim do arquivo, com link para a próxima compra.
- Pedido de avaliação e newsletter viram links de um toque, e é por isso que o ebook converte muito mais que o impresso nessas duas páginas.
- Guardas, orelhas, sobrecapa e cinta não existem. A capa vira uma imagem só, e a quarta capa some — a sinopse passa a viver na página da loja.
07A lista de conferência
Esta é a página para deixar aberta do lado enquanto você monta o livro. A ordem é a consagrada; a coluna da direita diz o que acontece se a peça faltar.
Antes da história
| Página | Se faltar |
|---|---|
| Elogios | Nada. É bônus de quem já tem leitor |
| Falsa folha de rosto | Nada. O livro só fica com menos cara de livro |
| Do mesmo autor | Você perde a venda mais fácil que tinha |
| Frontispício | Nada. É luxo |
| Folha de rosto | O livro fica sem certidão de nascimento |
| Créditos | Você fica sem prova de autoria, e quem trabalhou fica sem nome |
| Ficha catalográfica | Não entra em biblioteca, licitação nem parte das livrarias |
| Dedicatória | Nada |
| Epígrafe | Nada |
| Sumário | No impresso, nada. No ebook, a Amazon reprova |
| Listas de imagens e siglas | Só pesa em não-ficção |
| Aviso ao leitor | Você fica exposto se o livro tem cena pesada |
| Prefácio | Nada |
| Nota do tradutor | Falta de respeito com o tradutor, se houver um |
| Mapa e lista de personagens | O leitor de fantasia sente falta |
| Prólogo | Nada, e às vezes o livro melhora |
A história
| Peça | Se faltar |
|---|---|
| Capítulos abrindo em página ímpar | O livro fica com cara de apostila |
| Partes e interlúdios | Nada, se o livro é curto |
| Cabeço | O leitor perde a referência ao folhear |
| Fólio (número da página) | Fica impossível usar o sumário |
Depois da história
| Página | Se faltar |
|---|---|
| Epílogo | Nada. É escolha de narrativa |
| Posfácio | Nada |
| Agradecimentos | Gente que te ajudou vai reparar |
| Perguntas de clube de leitura | Você fica de fora de uma porta de venda |
| Glossário e apêndices | O leitor de mundo próprio reclama |
| Notas de fim e créditos de imagem | Risco de direito autoral, se usou arte de terceiro |
| Bibliografia e índice | Não-ficção sem isso não é levada a sério |
| Sobre o autor | O leitor não sabe quem procurar |
| Outros livros e trecho do próximo | Você vendeu um livro em vez de dois |
| Pedido de avaliação | Menos avaliações, e a loja te mostra menos |
| Colofão | Nada. É tradição bonita |
Por fora
| Peça | Se faltar |
|---|---|
| Capa | Não existe livro |
| Quarta capa com ISBN e código de barras | A loja não consegue vender no caixa |
| Lombada com título | Some da estante, literalmente |
| Orelhas, guardas, sobrecapa, cinta, marcador | Nada. É acabamento e custo |
Guarde essa lista. Ela vale para qualquer livro que você publique, no Brasil ou fora, em papel ou em arquivo.
08O AUTOR faz esta parte com você
O AUTOR é um programa brasileiro para escrever e preparar o seu livro. As páginas de antes e de depois entram no lugar certo, o capítulo abre onde deve abrir, o cabeço e o fólio se comportam como manda a tipografia. No fim sai o arquivo que a gráfica imprime e o arquivo que a Amazon aceita.
As páginas que você viu aqui são do meu próprio livro, e cada decisão delas — a ordem das páginas de abertura, o cabeço, o fólio, a capitular — é uma decisão que o AUTOR toma com você, sem precisar de um curso de diagramação antes.
