Diagramação vai além de deixar bonito. É um ofício com regras, e quase todas elas existem por um motivo físico: o papel dobra, a tinta escorre até a borda, a máquina corta com tolerância, e o olho humano cansa.
01O formato (decida primeiro, sempre)
Tudo depende desta escolha. Ela muda o número de páginas, a espessura da lombada, a capa e o preço da gráfica.
Os formatos mais usados em livro no Brasil — e o que muda em cada um está aberto no guia que tamanho de livro escolher:
| Formato | Medida | Usado em |
|---|---|---|
| 14 × 21 cm | 140 × 210 mm | O mais comum. Romance, não-ficção |
| 16 × 23 cm | 160 × 230 mm | Romance encorpado, edição de peso |
| 15,5 × 23 cm | 155 × 230 mm | Acadêmico, técnico |
| 12,5 × 18 cm | 125 × 180 mm | Livro de bolso |
| A5 | 148 × 210 mm | Genérico, fácil de orçar |
| 6 × 9 pol | 152 × 229 mm | Padrão da Amazon KDP |
Para publicar na KDP, escolha um formato da lista dela. Para imprimir no Brasil, o 14 × 21 é o caminho seguro: toda gráfica faz, e o leitor reconhece como livro.
02As margens (e a que ninguém lembra)
São quatro, e elas não são iguais entre si.
- Externa, do alto e do pé: 15 mm é um ponto de partida honesto no 14 × 21.
- Interna: precisa ser maior que a externa. Essa margem interna tem nome, medianiz, e é onde mora o erro clássico. Perto da lombada, parte da página some dentro da encadernação, e quanto mais grosso o livro, mais some. Um livro de 400 páginas precisa de mais medianiz que um de 120.
Margem apertada quase não economiza papel e atrapalha bastante a leitura. O olho precisa da moldura branca para descansar.
Escolha o tamanho do livro e o AUTOR acerta o resto.
03A tipografia
Aqui a diferença entre amador e profissional é quase toda invisível, e funciona justamente por isso.
- Fonte com serifa no texto. Serifa é aquele pezinho no fim das letras; ele guia o olho ao longo da linha. Fonte sem serifa serve para tela e para título.
- Tamanho da letra entre 10 e 11,5 pontos para leitor adulto. Abaixo disso cansa, acima parece livro infantil.
- Entrelinha de 1,25 a 1,4 vez o tamanho da letra. Texto sem respiro é a marca registrada do livro feito no Word.
- Texto justificado, com recuo na primeira linha de cada parágrafo. A exceção é o primeiro parágrafo do capítulo e o que vem depois de uma quebra de cena, que ficam rentes à margem. Quebrar essa convenção sem motivo faz o livro parecer errado, sem que o leitor saiba explicar por quê.
- Rios e viúvas. Rio é o caminho branco que se forma na vertical quando o texto justificado abre demais os espaços entre palavras. Viúva é a linha solta que sobra sozinha no alto ou no pé da página. Nos dois casos ajuste o texto, nunca o espaço.
04A estrutura do livro
O livro tem partes numa ordem consagrada: falsa folha de rosto, folha de rosto, ficha catalográfica, dedicatória, epígrafe, sumário, os capítulos, e no fim os agradecimentos e o colofão. Cada uma delas tem uma explicação inteira no guia A estrutura de um livro, página por página.
Duas regras organizam quase tudo:
- Página ímpar é a da direita. Sempre. Capítulo tradicionalmente abre em página ímpar, e é daí que surgem as páginas em branco no verso. Elas não são erro, são o livro respirando.
- Cabeço e fólio. O número da página se chama fólio, e a linha do alto com o nome do capítulo se chama cabeço — o mesmo que cabeçalho ou título corrente. Os dois somem nas páginas de abertura de capítulo e nas páginas em branco.
05O arquivo da gráfica
O arquivo final vai além de mandar salvar como PDF. Ele precisa de:
- Sangria de 5 mm (na KDP, 3,2 mm) em todo elemento que encosta na borda. Sangria é a folga de imagem que passa da linha de corte. A guilhotina corta com tolerância, e sem essa folga aparece um fio branco na borda.
- Marcas de corte, as marquinhas nos quatro cantos que dizem à máquina onde cortar.
- Fontes embutidas. Se a fonte não viajar dentro do arquivo, a gráfica troca por outra e a diagramação inteira se desfaz.
- Cores em CMYK no que for colorido, ou em tons de cinza no miolo preto e branco. Miolo em preto e branco enviado em RGB, que é o padrão de tela, está entre os motivos mais comuns de recusa.
- Imagens em 300 dpi no tamanho em que serão impressas.
A lista de conferência inteira, com os cinco motivos mais comuns de a gráfica devolver o arquivo, está em como preparar o PDF para a gráfica.
06A prova
Peça sempre a boneca, que é o exemplar de teste impresso pela gráfica. Na falta dela, imprima em casa algumas páginas no tamanho real e dobre. O papel entrega na hora o que a tela esconde: medianiz apertada, letra pequena demais, contraste fraco.
07Dá para diagramar no Word?
Dá, e o resultado se reconhece de longe. O Word não trabalha com sangria nem marcas de corte, não faz margem interna variável, não controla viúvas de forma confiável e não embute fonte para gráfica. Para um relatório ele é ótimo. Para um livro que vai brigar na prateleira com edições profissionais, ele deixa você na mão.
O InDesign faz tudo isso e é o padrão do mercado. Cobra em troca meses de aprendizado e uma assinatura mensal em dólar. Os dois estão comparados com o resto das opções em qual programa usar para escrever um livro.
08O AUTOR faz esta parte com você
O AUTOR ocupa a distância entre esses dois: mais capaz que o Word, e sem exigir os meses que o InDesign pede.
Você escreve dentro dele, e o mesmo texto vira o livro. Escolhe o formato numa lista de tamanhos reais do mercado brasileiro, e margens, medianiz, tamanho de letra, entrelinha, cabeço e fólio já chegam ajustados para aquele formato. Abertura de capítulo, capitular e ornamento de quebra de cena são escolhas de painel, sem código.
No fim sai o arquivo como a gráfica pede, com sangria, marcas de corte, fontes embutidas e as cores certas, e com uma conferência automática antes do envio. Mudou uma frase lá pelo meio do livro? Dali para a frente tudo se reorganiza sozinho.
