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Guias · Como diagramar um livro

Como diagramar um livro (o guia honesto)

Por Krigor Roncoleta Valetius, escritor e criador do AUTOR 6 min de leitura

Diagramar é transformar o texto corrido num livro — formato, margens, tipografia, paginação, aberturas de capítulo — e entregar à gráfica um arquivo com sangria e marcas de corte. Esta página traz as decisões na ordem em que elas precisam ser tomadas, porque tomar fora de ordem é o que gera retrabalho.

Este guia é do AUTOR, o programa brasileiro para escrever, diagramar e publicar o seu livro. Conhecer o AUTOR

Diagramação vai além de deixar bonito. É um ofício com regras, e quase todas elas existem por um motivo físico: o papel dobra, a tinta escorre até a borda, a máquina corta com tolerância, e o olho humano cansa.

01O formato (decida primeiro, sempre)

Tudo depende desta escolha. Ela muda o número de páginas, a espessura da lombada, a capa e o preço da gráfica.

Os formatos mais usados em livro no Brasil — e o que muda em cada um está aberto no guia que tamanho de livro escolher:

FormatoMedidaUsado em
14 × 21 cm140 × 210 mmO mais comum. Romance, não-ficção
16 × 23 cm160 × 230 mmRomance encorpado, edição de peso
15,5 × 23 cm155 × 230 mmAcadêmico, técnico
12,5 × 18 cm125 × 180 mmLivro de bolso
A5148 × 210 mmGenérico, fácil de orçar
6 × 9 pol152 × 229 mmPadrão da Amazon KDP

Para publicar na KDP, escolha um formato da lista dela. Para imprimir no Brasil, o 14 × 21 é o caminho seguro: toda gráfica faz, e o leitor reconhece como livro.

02As margens (e a que ninguém lembra)

São quatro, e elas não são iguais entre si.

  • Externa, do alto e do pé: 15 mm é um ponto de partida honesto no 14 × 21.
  • Interna: precisa ser maior que a externa. Essa margem interna tem nome, medianiz, e é onde mora o erro clássico. Perto da lombada, parte da página some dentro da encadernação, e quanto mais grosso o livro, mais some. Um livro de 400 páginas precisa de mais medianiz que um de 120.
Duas páginas abertas, com as quatro margens, o cabeço e o fólio marcados Estrela do Caos 2. O filho do inverno 146 147 externa medianiz cabeço cabeço
A página da esquerda é par, a da direita é ímpar. A margem interna é maior porque parte dela desaparece dentro da encadernação.

Margem apertada quase não economiza papel e atrapalha bastante a leitura. O olho precisa da moldura branca para descansar.

Margens e medianiz já ajustadas ao formato

Escolha o tamanho do livro e o AUTOR acerta o resto.

Conhecer o AUTOR

03A tipografia

Aqui a diferença entre amador e profissional é quase toda invisível, e funciona justamente por isso.

  • Fonte com serifa no texto. Serifa é aquele pezinho no fim das letras; ele guia o olho ao longo da linha. Fonte sem serifa serve para tela e para título.
  • Tamanho da letra entre 10 e 11,5 pontos para leitor adulto. Abaixo disso cansa, acima parece livro infantil.
  • Entrelinha de 1,25 a 1,4 vez o tamanho da letra. Texto sem respiro é a marca registrada do livro feito no Word.
  • Texto justificado, com recuo na primeira linha de cada parágrafo. A exceção é o primeiro parágrafo do capítulo e o que vem depois de uma quebra de cena, que ficam rentes à margem. Quebrar essa convenção sem motivo faz o livro parecer errado, sem que o leitor saiba explicar por quê.
  • Rios e viúvas. Rio é o caminho branco que se forma na vertical quando o texto justificado abre demais os espaços entre palavras. Viúva é a linha solta que sobra sozinha no alto ou no pé da página. Nos dois casos ajuste o texto, nunca o espaço.

04A estrutura do livro

O livro tem partes numa ordem consagrada: falsa folha de rosto, folha de rosto, ficha catalográfica, dedicatória, epígrafe, sumário, os capítulos, e no fim os agradecimentos e o colofão. Cada uma delas tem uma explicação inteira no guia A estrutura de um livro, página por página.

Duas regras organizam quase tudo:

  • Página ímpar é a da direita. Sempre. Capítulo tradicionalmente abre em página ímpar, e é daí que surgem as páginas em branco no verso. Elas não são erro, são o livro respirando.
  • Cabeço e fólio. O número da página se chama fólio, e a linha do alto com o nome do capítulo se chama cabeço — o mesmo que cabeçalho ou título corrente. Os dois somem nas páginas de abertura de capítulo e nas páginas em branco.

05O arquivo da gráfica

O arquivo final vai além de mandar salvar como PDF. Ele precisa de:

  • Sangria de 5 mm (na KDP, 3,2 mm) em todo elemento que encosta na borda. Sangria é a folga de imagem que passa da linha de corte. A guilhotina corta com tolerância, e sem essa folga aparece um fio branco na borda.
  • Marcas de corte, as marquinhas nos quatro cantos que dizem à máquina onde cortar.
  • Fontes embutidas. Se a fonte não viajar dentro do arquivo, a gráfica troca por outra e a diagramação inteira se desfaz.
  • Cores em CMYK no que for colorido, ou em tons de cinza no miolo preto e branco. Miolo em preto e branco enviado em RGB, que é o padrão de tela, está entre os motivos mais comuns de recusa.
  • Imagens em 300 dpi no tamanho em que serão impressas.

A lista de conferência inteira, com os cinco motivos mais comuns de a gráfica devolver o arquivo, está em como preparar o PDF para a gráfica.

Comparação entre uma página com sangria e outra sem sangria depois do corte com sangria: o corte cai na arte sem sangria: sobra o fio branco
A guilhotina corta com tolerância. Sem a folga de arte além do corte, aparece o filete branco na beirada.

06A prova

Peça sempre a boneca, que é o exemplar de teste impresso pela gráfica. Na falta dela, imprima em casa algumas páginas no tamanho real e dobre. O papel entrega na hora o que a tela esconde: medianiz apertada, letra pequena demais, contraste fraco.

07Dá para diagramar no Word?

Dá, e o resultado se reconhece de longe. O Word não trabalha com sangria nem marcas de corte, não faz margem interna variável, não controla viúvas de forma confiável e não embute fonte para gráfica. Para um relatório ele é ótimo. Para um livro que vai brigar na prateleira com edições profissionais, ele deixa você na mão.

O InDesign faz tudo isso e é o padrão do mercado. Cobra em troca meses de aprendizado e uma assinatura mensal em dólar. Os dois estão comparados com o resto das opções em qual programa usar para escrever um livro.


08O AUTOR faz esta parte com você

O AUTOR ocupa a distância entre esses dois: mais capaz que o Word, e sem exigir os meses que o InDesign pede.

Você escreve dentro dele, e o mesmo texto vira o livro. Escolhe o formato numa lista de tamanhos reais do mercado brasileiro, e margens, medianiz, tamanho de letra, entrelinha, cabeço e fólio já chegam ajustados para aquele formato. Abertura de capítulo, capitular e ornamento de quebra de cena são escolhas de painel, sem código.

No fim sai o arquivo como a gráfica pede, com sangria, marcas de corte, fontes embutidas e as cores certas, e com uma conferência automática antes do envio. Mudou uma frase lá pelo meio do livro? Dali para a frente tudo se reorganiza sozinho.

Conhecer o AUTOR Escrever, diagramar e publicar no mesmo programa, em português.
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