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Como diagramar um livro (o guia honesto)

Por Krigor Roncoleta Valetius, escritor e criador do AUTOR

Resumo: diagramar é transformar o texto corrido num livro — formato, margens, tipografia, paginação, aberturas de capítulo — e entregar à gráfica um PDF com sangria e marcas de corte. Esta página mostra as decisões na ordem em que elas precisam ser tomadas, porque tomar fora de ordem é o que causa retrabalho.

Diagramação não é "deixar bonito". É um ofício com regras, e quase todas elas existem por um motivo físico: o papel dobra, a tinta sangra, a máquina corta com tolerância, e o olho humano cansa.

1. O formato (decida primeiro, sempre)

Tudo depende disto. Muda o número de páginas, muda a lombada, muda a capa, muda o preço da gráfica.

Os formatos mais usados em livro no Brasil:

FormatoMedidaUsado em
14 × 21 cm140 × 210 mmO mais comum. Romance, não-ficção
16 × 23 cm160 × 230 mmRomance encorpado, edição "de peso"
15,5 × 23 cm155 × 230 mmAcadêmico, técnico
12,5 × 18 cm125 × 180 mmPocket
A5148 × 210 mmGenérico, fácil de orçar
6 × 9 in152 × 229 mmPadrão da Amazon KDP

Se você vai publicar na KDP, escolha um formato dela. Se vai imprimir no Brasil, o 14 × 21 é o caminho seguro: toda gráfica faz, e o leitor reconhece como "livro".

2. As margens (e a que ninguém lembra)

São quatro, e não são iguais:

Margem apertada não economiza papel de forma relevante e destrói a leitura. O olho precisa da moldura branca para descansar.

3. A tipografia

Aqui a diferença entre amador e profissional é quase toda invisível — e é justamente por isso que ela funciona.

4. A estrutura do livro

Um livro tem partes numa ordem consagrada: falsa folha de rosto, folha de rosto, ficha catalográfica, dedicatória, epígrafe, sumário, o miolo, e no fim os agradecimentos e o colofão.

Duas regras que organizam quase tudo:

5. O arquivo da gráfica

O PDF final não é "exportar para PDF". Ele precisa de:

6. A prova

Peça sempre a boneca (prova impressa) ou, no mínimo, imprima em casa algumas páginas no tamanho real e dobre. Coisas que a tela esconde e o papel entrega na hora: medianiz apertada, corpo pequeno demais, contraste fraco.

Dá para diagramar no Word?

Dá — e o resultado se reconhece de longe. O Word não trabalha com sangria nem marcas de corte, não faz medianiz variável, não controla viúvas de forma confiável e não embute fonte para gráfica. Para um relatório, é ótimo. Para um livro que vai brigar na prateleira com edições profissionais, ele entrega você.

O InDesign faz tudo isso e é o padrão do mercado — com uma curva de aprendizado de meses e assinatura mensal em dólar.


Como o AUTOR resolve isso

O AUTOR foi feito para essa distância exata: entre o Word, que não dá conta, e o InDesign, que cobra meses da sua vida antes de servir para alguma coisa.

Você escreve dentro dele, e o mesmo texto vira o livro: escolhe o formato de uma lista de formatos reais do mercado brasileiro, e as margens, a medianiz, o corpo, a entrelinha, o cabeço e o fólio já vêm ajustados para aquele formato. A abertura de capítulo, a capitular, o ornamento de quebra de cena — tudo em painel, sem código.

No fim, o export sai como a gráfica pede: sangria, marcas de corte, fontes embutidas, tons de cinza ou CMYK, com um preflight que confere antes de você mandar. E se você mudar uma frase na página 212, ele repagina o livro inteiro sozinho.

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