Antes de comparar, uma pergunta que economiza meses: o que trava você hoje?
- Tem o texto, mas se perde nos personagens e nas linhas do enredo? O seu problema é organização.
- Terminou o livro e não sabe como transformá-lo no arquivo que a gráfica aceita? O seu problema é diagramação.
- Trava na página em branco? Nenhum programa desta lista resolve isso. Escreva mal, e conserte depois.
Guarde a sua resposta. Ela decide a lista inteira.
01As opções, com honestidade
AUTOR. Começamos pelo nosso, e dizemos por quê: ele é o único da lista que vai do primeiro rascunho até o arquivo que a gráfica imprime sem trocar de programa. Você escreve, guarda o fichário do universo da história, monta o enredo, corrige o texto, diagrama o miolo, faz a capa e sai com o PDF de impressão e o arquivo do ebook. Tudo em português, do menu ao corretor, e com os formatos e papéis que as gráficas brasileiras usam — não os americanos.
Ele roda no Windows, funciona sem internet e guarda os seus arquivos no seu disco, numa pasta comum que você copia e leva embora quando quiser. É cobrado em real, por plano. E, para ser justo, um limite que pode decidir por você: ele não roda em Mac.
O resto da lista é bom no que faz. Repare só onde cada um para.
Escrita, universo, enredo, correção, diagramação e capa no mesmo programa, em português.
Word e Google Docs. Você já tem, já sabe usar, e para escrever o texto eles dão conta. O limite aparece no dia em que o texto precisa virar livro: nenhum dos dois faz sangria, marcas de corte ou margem interna variável, e nenhum embute fonte para gráfica. São editores de documento. Escrever no Word está longe de ser errado; o problema é contar com ele até o fim — que é justamente a parte que o AUTOR cobre.
Scrivener. O clássico dos escritores. Brilha na organização: fatia o livro em cenas, tem quadro de cartões e guarda a pesquisa junto do texto. Paga-se uma vez só, e vale o preço quando o seu problema é estrutura. A saída para impressão é limitada, e o programa é em inglês, com corretor que não entende português de verdade. É o concorrente mais forte na primeira metade do caminho, e some na segunda.
Atticus. Escrita e formatação no mesmo lugar, roda no navegador, pagamento único. Resolve bem o arquivo do Kindle e o PDF de impressão em formatos americanos. É em inglês, e o controle fino de tipografia fica abaixo do que quem tem olho para livro gostaria. Depende de internet, e o seu livro mora no servidor de outra pessoa.
Vellum. O mais bonito da lista, a ponto de dar para reconhecer os livros que ele formata. Um detalhe decide por você: só roda em Mac. Pagamento único, na casa das centenas de dólares. Se você tem Mac e escreve em inglês, é uma escolha legítima.
InDesign. O padrão profissional, com toda a precisão que existe. Cobra em troca meses de aprendizado e assinatura mensal em dólar. Para quem quer virar diagramador, é o caminho. Para quem quer publicar o próprio livro, é uma marreta numa tarefa de martelo.
Preços mudam. Confira no site de cada um antes de decidir. Em geral são pagamento único em dólar, com exceção do InDesign, que é assinatura.
02A tabela, para decidir em um minuto
| Programa | Escreve | Organiza | Chega ao arquivo da gráfica | Em português | Onde roda |
|---|---|---|---|---|---|
| AUTOR | sim | sim | sim, miolo e capa | sim, tudo | Windows, sem internet |
| Word / Docs | sim | não | não | em parte, o corretor | Windows, Mac, navegador |
| Scrivener | sim | sim | limitado | não | Windows, Mac |
| Atticus | sim | em parte | sim, padrão americano | não | navegador |
| Vellum | sim | não | sim | não | só Mac |
| InDesign | não é para isso | não | sim, padrão profissional | em parte | Windows, Mac |
03A conta que ninguém faz
Repare no que aconteceu na lista: fora o AUTOR, nenhuma dessas ferramentas cobre o caminho inteiro. Na prática, quem publica sozinho acaba fazendo assim:
Cada seta é uma exportação, uma formatação que quebra no meio e mais um arquivo com nome tipo livro_final_v7_ESTE.docx. As duas últimas etapas custam, no Brasil, de R$ 1.600 a R$ 5.500 por livro, e o valor volta a cada livro novo — a conta aberta, linha por linha, está em quanto custa publicar um livro.
Há ainda um detalhe que só aparece para quem escreve em português: essas ferramentas foram desenhadas para o mercado americano. Tamanhos de papel americanos, correção em inglês, nenhuma noção dos papéis brasileiros e dos formatos que a gráfica da sua cidade imprime.
No AUTOR não existe exportar no meio: o mesmo livro que você escreve é o que vai para a gráfica.
04Como fica na página impressa
Este é o resultado do lado de lá — as páginas do Estrela do Caos, um livro de 394 páginas, já no arquivo que foi para a gráfica:
Abertura de capítulo (página 11)
Página de texto (página 12)05O que procurar, de verdade
Na hora de escolher, use estas cinco perguntas:
- Ele chega até o arquivo da gráfica? Ou para no texto e deixa você sozinho na parte cara?
- Ele entende português? Corretor, separação de sílabas, aspas e travessão de diálogo.
- Os seus arquivos são seus? Se a assinatura acabar, você sai com o livro ou ele fica preso lá dentro?
- Funciona sem internet? Escritor escreve em ônibus, em sala de espera e em sítio sem sinal.
- Roda na sua máquina? A pergunta mais prática de todas, e a que elimina o Vellum para quem não tem Mac.
Faça essas cinco perguntas a qualquer programa desta lista. Foram elas que desenharam o AUTOR: ele responde sim às quatro primeiras, e a quinta é a única em que ele perde — para quem tem Mac.
06O AUTOR faz esta parte com você
Se você chegou até aqui procurando um programa para escrever, o AUTOR é o que faz o caminho inteiro em português. Ele roda no Windows, funciona sem internet, e os seus arquivos ficam no seu disco. Se a assinatura vencer, o programa entra em modo de leitura e o seu texto continua saindo em .docx — você nunca fica com o livro preso lá dentro.
Ele não é o melhor do mundo em tudo. É o feito para quem escreve em português e quer levar o livro do primeiro rascunho até a gráfica sem trocar de ferramenta três vezes.
