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Guias · Os tipos de livro

Os tipos de livro e para que serve cada um

Por Krigor Roncoleta Valetius, escritor e criador do AUTOR 15 min de leitura

"livro" é uma palavra só para objetos muito diferentes. Uma brochura de romance, uma capa dura de presente, um e-book e um livro infantil ilustrado pedem tamanho, papel, letra e orçamento diferentes. Esta página separa os tipos em duas listas — o formato (como o livro é feito) e o conteúdo (o que ele leva dentro) — e diz, para cada um, para que serve, quem compra, quanto pesa no bolso e onde costuma dar errado.

Este guia é do AUTOR, o programa brasileiro para escrever, diagramar e publicar o seu livro. Conhecer o AUTOR

Antes de escolher o tamanho da página ou abrir a diagramação, vale responder uma pergunta mais simples: que tipo de livro é este? A resposta decide quase todo o resto. Um romance de 300 páginas e um livro de receitas de 120 páginas podem custar o mesmo para imprimir e não ter nada mais em comum.

São duas perguntas, e elas se cruzam. O formato é o objeto: brochura, capa dura, bolso, e-book, áudio. O conteúdo é o que vai dentro: romance, poesia, manual, história infantil. O mesmo romance pode sair em brochura, em capa dura e em e-book — e cada versão é um livro diferente, com o seu próprio arquivo e o seu próprio ISBN. No AUTOR, o programa em que eu preparo os meus livros, o mesmo texto vira a versão impressa e o e-book; o que muda entre elas está explicado aqui.

01Os formatos: como o livro é feito

Brochura (capa mole)

É o livro comum de livraria: capa de cartão flexível, miolo colado na lombada. A maior parte dos romances, ensaios e livros de não-ficção no Brasil sai assim.

  • Para que serve: ser lido. É leve, barato de imprimir e barato de mandar pelo correio.
  • Quem compra: praticamente todo leitor. É o formato que ninguém estranha.
  • Tamanho e papel: 14 × 21 cm na maior parte dos casos, 16 × 23 para obra encorpada. Miolo em pólen ou offset.
  • Custo: o mais baixo entre os livros impressos.
  • Cuidado: a lombada colada abre menos que a costurada. Se o livro for grosso, aumente a margem interna, senão o texto some na dobra. Algumas gráficas oferecem brochura costurada, que abre melhor e custa um pouco mais.

Capa dura

A capa é um papelão rígido revestido de papel impresso ou tecido, com folhas de guarda ligando a capa ao miolo. Em geral o miolo é costurado.

  • Para que serve: durar e presentear. É o livro que fica na estante por anos.
  • Quem compra: quem quer o exemplar como objeto — colecionador, presente, edição comemorativa, livro infantil que vai passar por muitas mãos.
  • Tamanho e papel: os mesmos da brochura, ou maiores. A capa fica alguns milímetros maior que o miolo em cada lado.
  • Custo: bem mais caro por exemplar que a brochura, e muitas gráficas só fazem a partir de uma quantidade mínima. Peça o orçamento das duas versões antes de decidir.
  • Cuidado: a arte da capa dura tem outra geometria — ela dobra por cima do papelão e precisa de uma folga maior que a sangria da brochura. Não reaproveite o arquivo de capa da brochura sem conferir o gabarito da gráfica.

Livro de bolso

Brochura em formato pequeno, por volta de 11 × 18 cm, com papel fino e preço baixo.

  • Para que serve: ser levado. Viagem, bolsa, leitura de transporte.
  • Quem compra: leitor de volume, que lê muito e não quer pagar caro por exemplar. Clássicos e livros que já venderam bem em outro formato.
  • Custo: baixo por exemplar, mas só em tiragem grande. Página pequena significa mais páginas para o mesmo texto, e em impressão sob demanda isso encarece em vez de baratear.
  • Cuidado: margem pequena e letra pequena cansam. Com página estreita, o parágrafo justificado abre buracos entre as palavras com mais facilidade — confira a hifenização com atenção.

Edição de luxo ou de colecionador

É a capa dura com acabamentos a mais: luva (a caixa de papelão onde o livro desliza), pintura de borda (o corte das folhas colorido ou com desenho), fitilho (a fita de cetim presa na lombada que serve de marcador), letras em relevo ou em dourado na capa, sobrecapa, guardas ilustradas.

  • Para que serve: ser desejado. É a versão que o leitor fiel compra mesmo já tendo o livro, e que aparece em foto nas redes.
  • Quem compra: fã. Fantasia e romance de fantasia são os gêneros onde isso mais aparece, muitas vezes em financiamento coletivo, com tiragem numerada.
  • Custo: cada acabamento soma ao preço do exemplar e pede tiragem mínima. É o tipo de livro em que vender antes de imprimir (pré-venda ou financiamento coletivo) faz mais sentido.
  • Cuidado: acabamento não conserta miolo malfeito. A pintura de borda, por exemplo, só fica bonita se o livro tiver corte limpo e espessura suficiente. Faça primeiro a edição comum e deixe a de luxo para quando já houver leitor pedindo.

E-book

O livro em arquivo, lido no Kindle, no celular ou no computador. Existem dois tipos, e a diferença é grande:

  • Fluido (EPUB "reflowable"). O texto se reorganiza conforme a tela. O leitor escolhe a letra e o tamanho, e a "página" muda a cada ajuste. É o formato certo para romance, conto, ensaio — qualquer livro que seja principalmente texto corrido.
  • Página fixa (fixed layout). Cada página é desenhada e fica igual em qualquer tela, como um PDF. É o formato de livro infantil, HQ, livro de receitas e de fotografia — onde a posição da imagem em relação ao texto importa.

A Amazon aceita EPUB e converte para o formato do Kindle; as outras lojas trabalham direto com EPUB.

  • Para que serve: alcance e preço baixo. Não tem gráfica, frete nem estoque.
  • Quem compra: quem lê muito e lê no celular ou no Kindle. Romance de gênero (romance, fantasia, suspense) vende bem em e-book.
  • Custo: quase nenhum por exemplar. O trabalho está na preparação do arquivo.
  • Cuidado: o e-book fluido não tem página. Número de página no sumário, cabeço, "veja a página 42" — nada disso sobrevive. O sumário precisa ser de links. E diagramação pensada para o papel, com quebras de linha feitas à mão, vira bagunça na tela do leitor. Os detalhes da Amazon estão no guia da KDP.

Audiolivro

O livro narrado, ouvido no celular.

  • Para que serve: chegar a quem não tem tempo de sentar para ler — quem dirige, quem faz exercício, quem ouve enquanto trabalha.
  • Quem compra: um público que se sobrepõe pouco ao do livro de papel.
  • Custo: é o formato mais caro de produzir do zero, porque paga horas de narração, de estúdio e de edição de áudio. Narrar você mesmo barateia, mas exige ambiente silencioso e muita revisão.
  • Cuidado: o que funciona no papel nem sempre funciona no ouvido. Tabela, nota de rodapé, mapa e diálogo sem indicação de quem fala precisam ser adaptados para a narração.

Sob demanda ou tiragem: o jeito de imprimir

Isso não é um tipo de livro, mas muda o preço de todos os tipos impressos.

JeitoComo funcionaQuando compensa
Impressão sob demandaCada exemplar é impresso quando alguém compraComeço, venda incerta, nenhum estoque em casa
Digital em tiragem curtaVocê encomenda poucas dezenas ou centenas, impressas em máquina digitalLançamento, evento, venda direta
OffsetImpressão com chapas; a preparação custa, e depois cada exemplar sai baratoTiragem grande, com venda já garantida

A regra é sempre a mesma: no offset o preço por exemplar cai muito com a quantidade; no digital ele quase não cai. O ponto em que o offset passa a valer a pena muda de gráfica para gráfica, de formato para formato e de papel para papel — peça orçamento das duas formas com o número de páginas real do seu livro. As contas completas estão em Quanto custa publicar um livro.

02Os conteúdos: o que vai dentro

O formato é a embalagem. O conteúdo é o que decide a diagramação. Uma tabela para começar, e o detalhe de cada um logo abaixo.

TipoTamanho típicoPapel do mioloImagens
Romance e ficção14 × 21 ou 16 × 23PólenRaras
Conto e coletânea14 × 21 ou menorPólenRaras
Poesia12 × 18 a 14 × 21Pólen ou offsetÀs vezes
Não-ficção e ensaio14 × 21 ou 16 × 23Pólen ou offsetÀs vezes
Técnico e didático15,5 × 23 a 21 × 28OffsetMuitas
Infantil e ilustradoGrande, muitas vezes quadradoCouché ou offset grossoEm toda página
HQ e graphic novelPor volta de 17 × 26Couché ou offsetEm toda página
Receitas e fotografiaGrande, muitas vezes quadradoCouchéEm toda página

Uma palavra sobre os papéis, que aparecem na tabela inteira:

  • Pólen é o papel creme, levemente amarelado. Cansa menos a vista em leitura longa e é o padrão do romance no Brasil.
  • Offset é o papel branco e sem brilho, o mesmo do caderno. Bom para texto com tabela e esquema, e para quem vai escrever na margem.
  • Couché tem uma camada que deixa a tinta em cima da folha: a cor sai viva e a foto sai nítida. É mais pesado e mais caro, e só se justifica quando a imagem é a estrela.

A gramatura e a espessura de cada um mudam a lombada — a conta está em Como calcular a lombada do livro.

Essa decisão o AUTOR ajuda a tomar com o seu próprio texto: você troca o formato, vê quantas páginas o livro dá e quanto a lombada engorda, antes de pedir o primeiro orçamento.

Ver o seu livro em cada formato

Troque o tamanho e veja o número de páginas e a lombada mudarem na hora.

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Romance e ficção

  • Para que serve: contar uma história longa, para ser lida em sequência.
  • Quem compra: o maior público do mercado, e o mais fiel ao gênero — quem lê fantasia compra fantasia.
  • Diagramação: letra serifada entre 10,5 e 12 pontos, texto justificado, recuo no parágrafo, capítulo abrindo em página nova. Margem confortável, porque o leitor passa horas com o livro na mão.
  • Custo: o mais previsível. Quase só texto, uma cor, papel comum.
  • Cuidado: o gênero tem cara. Fantasia costuma ir para 16 × 23; romance contemporâneo e suspense, para 14 × 21. Olhe a estante do seu gênero antes de decidir, e veja o guia Que tamanho de livro escolher.

Conto e coletânea

  • Para que serve: histórias curtas, lidas uma de cada vez, fora de ordem.
  • Quem compra: leitor de literatura, concursos, antologias de vários autores.
  • Diagramação: como o romance, mas com o sumário mais importante, porque o leitor pula de um conto para outro. Cada conto pede abertura própria, com título bem marcado.
  • Custo: igual ao do romance. Coletânea curta fica fina — um formato menor e um papel mais encorpado dão corpo ao livro.
  • Cuidado: em antologia de vários autores, cada um precisa autorizar por escrito a publicação do seu texto. Combine isso antes de diagramar.

Poesia

  • Para que serve: ser lida devagar, relida, dita em voz alta.
  • Quem compra: um público menor e muito atento ao objeto. Livro de poesia bonito vende em evento, sarau e feira.
  • Diagramação: é o tipo que mais foge da regra. O texto não é justificado — o verso termina onde o poeta quis. Muito branco na página, margem generosa. A quebra de página precisa respeitar a estrofe: um poema que vira a página no meio de uma estrofe perde o ritmo.
  • Custo: em geral poucas páginas e livro fino. O desafio é dar presença na estante, não economizar.
  • Cuidado: verso longo que não cabe na largura da página quebra sozinho, e a quebra automática muda o poema. O costume é recuar a continuação do verso, para o leitor ver que é a mesma linha. Confira poema por poema.

Não-ficção e ensaio

  • Para que serve: explicar, argumentar, contar uma história real.
  • Quem compra: quem procura o assunto, mais do que o autor. Biografia, memória, autoajuda, negócios, história.
  • Diagramação: parecida com a do romance, com mais peças — subtítulos dentro do capítulo, citações destacadas, notas, bibliografia, às vezes índice. A ordem dessas páginas está em A estrutura de um livro.
  • Custo: perto do romance, a não ser que entrem fotos. Foto em preto e branco no meio do texto funciona em offset; foto colorida pede caderno à parte ou couché, e o preço sobe.
  • Cuidado: nota de rodapé, citação e bibliografia precisam de padrão do início ao fim. Decidir isso no meio do livro dá retrabalho em todas as páginas já feitas.

Técnico e didático

  • Para que serve: ensinar e ser consultado. O leitor não lê do começo ao fim: ele procura.
  • Quem compra: estudante, profissional, escola, curso.
  • Diagramação: hierarquia de títulos bem clara (capítulo, seção, subseção), tabelas, figuras numeradas, quadros de destaque, exercícios. Formato maior, para caber figura e tabela sem espremer. Papel offset, que aceita anotação.
  • Custo: mais páginas, mais imagens e, muitas vezes, cor. É onde o orçamento mais varia.
  • Cuidado: figura e tabela que caem longe do texto que fala delas confundem o leitor. E imagem copiada da internet tem dono — use imagem sua, licenciada ou de domínio público, com o crédito.

Infantil e ilustrado

  • Para que serve: ser lido junto, mostrado, manuseado. A imagem conta metade da história, às vezes mais.
  • Quem compra: quem compra não é quem lê — pais, avós, professores, escolas.
  • Diagramação: página fixa, com texto e imagem desenhados juntos, página por página. Letra grande. Formato grande, muitas vezes quadrado. Poucas páginas, e o total costuma ser múltiplo de 8 ou de 16, por causa da forma como a gráfica dobra as folhas em cadernos.
  • Custo: colorido em todas as páginas, papel encorpado, às vezes capa dura. Por página, é dos tipos mais caros de imprimir. E existe o custo da ilustração, que costuma ser o maior de todos.
  • Cuidado: ilustração em baixa resolução sai borrada no papel — peça os arquivos ao ilustrador no tamanho final, com a sangria. E combine por escrito os direitos da ilustração, inclusive para capa, e-book e divulgação. Os requisitos do arquivo estão em Como preparar o PDF para a gráfica.

HQ e graphic novel

  • Para que serve: contar a história em quadros, com imagem e texto juntos.
  • Quem compra: um público próprio, que compra em loja especializada, evento e financiamento coletivo.
  • Diagramação: a página é desenhada pelo artista; a diagramação cuida dos balões, do letreiramento, da margem de segurança e da sangria. O formato americano (por volta de 17 × 26 cm) é o mais comum para HQ autoral; mangá sai em formato menor.
  • Custo: colorido em todas as páginas, como o infantil, mas com mais páginas.
  • Cuidado: o desenho precisa ser feito já na proporção do formato final. Arte desenhada para uma proporção e impressa em outra perde as bordas ou ganha faixas vazias.

Livro de receitas e de fotografia

Também chamado de livro de mesa de centro: grande, pesado, feito para ser folheado.

  • Para que serve: mostrar. A foto é o conteúdo principal.
  • Quem compra: quem dá presente, quem coleciona, o público de um chef, de um fotógrafo ou de um lugar.
  • Diagramação: página fixa, foto sangrando até a borda, papel couché, quase sempre capa dura. Nas receitas, um padrão que se repete — ingredientes, modo de fazer, rendimento — para o leitor achar a informação de relance.
  • Custo: o mais alto da lista por exemplar: formato grande, couché, cor em toda página, capa dura. Pede orçamento cuidadoso e, muitas vezes, pré-venda.
  • Cuidado: foto tirada com celular pode não ter resolução suficiente para página inteira impressa. Confira antes de montar o livro em cima dela.

03Como escolher

Cinco perguntas, nesta ordem:

  1. O livro é principalmente texto ou principalmente imagem? Texto vai para brochura e e-book fluido. Imagem vai para página fixa, couché e orçamento maior.
  2. Quem é o leitor, e onde ele compra? Quem lê no Kindle quer e-book. Quem compra em evento quer o livro na mão. Quem compra para dar de presente aceita pagar pela capa dura.
  3. Quantos exemplares você tem certeza de vender? Se não sabe, comece sob demanda ou em tiragem curta. Offset é para quando a venda já existe.
  4. Qual é o primeiro formato? Para quase todo romance, conto, ensaio e não-ficção, a resposta é brochura + e-book, lançados juntos. Capa dura e edição de luxo vêm depois, quando os leitores pedirem.
  5. Cada formato tem o seu arquivo. O PDF da gráfica não serve de e-book, e o e-book não serve para a gráfica. Planeje os dois desde o começo, para não refazer o livro duas vezes.

04O AUTOR faz esta parte com você

O AUTOR é um programa brasileiro para escrever e preparar o seu livro. Você escolhe o formato numa lista com os tamanhos brasileiros e os da Amazon, e o livro se ajusta na hora: margem, letra e entrelinha já chegam adequadas àquele tamanho, e o número de páginas aparece enquanto você decide.

Do mesmo texto saem as duas versões que quase todo livro precisa: o PDF que a gráfica imprime e o e-book que as lojas aceitam. Trocar de formato para comparar leva alguns segundos, e você decide o tipo de livro olhando para o seu, não para um exemplo.

Conhecer o AUTOR Escrever, diagramar e publicar no mesmo programa, em português.
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